terça-feira, 23 de março de 2010

Eu doente.



Por um acaso, todas as drogas do universo tornam-se fracas para mim. Toda toxicomania ao meu redor. Um mundo expelido prematuro e natimorto jaz falido, em seu caixão de ouro maciço.
Eu só estou tentando fugir, achar alguém ou algum lugar que valha a pena. Valha a ração que enfia pelo rabo, valha os não-lugares perdidos, insondáveis.
Aqui tudo é frio e escroto. Todos vocês cansativos, eu cansativa.
Desejo afundar-me em alguma dor que não seja a minha mas um passado insolente insiste em jogar-se sobre meu presente. Eu sei que não preciso mais arrasta-lo comigo, mas é apenas um passado eterno.
Toda codeína - despejam em meu prato de comida, minha colher - alguma heroína, cigarros - fumarei aos montes, quero ser uma pessoa seriamente intoxicada porque qualquer envenenamento é melhor que um futuro falho.


sábado, 13 de março de 2010

câncer

Terrivelmente só. Há um buraco nela. Fede.
Um buraco vazio e fundo.
Não sei onde quer chegar
Drogas, muitas delas, todas elas.
Cocaína, Morfina, Heroína
Uma pequena puta histriônica
Seu buraco fede.
Tem toda sífilis do mundo concentrada em sua vulva
Fuma um cigarro, vomita suas dores num vaso sanitário
Não se importa, nunca de fato importou-se.




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

GANGRENA MORAL

"Eu não vejo muito futuro
a não ser que descubra o que é culpa"

-[Buzzcocks]


Diário, 31 de janeiro de 2006.
[Una Anaïs Nin adolescente]

Acuse-me de um assassinato, uma dor qualquer que lhe causei. Acuse-me de te amar assim, tão sem querer, que a culpa é toda minha!
Minha garganta está travada agora e tudo que eu queria dizer é que dissequei demais sua carcaça de sentimentos nulos. Aprendi tanto de ti que já nem sei mais.
Troque-me por um cigarro; ou por uma espécie de amor que eu não conheço - não entendo. Eu poderia ter sido tudo aquilo que. Mas agora o que eu sou não basta.
Só não me olhe com estes olhos vãos, morrendo de sentimentos ao piscar, não fale nada sobre culpa porque eu não sei dizer o quanto isso me deturpa.




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Is Everybody In?

"Writer William S. Burroughs reads poetry by Jim Morrison over music provided by The Doors on the track "Is Everybody In?"
- "ESTÃO TODOS AÍ? ESTÃO TODOS...AÍ? ESTÃO TODOS AÍ? A CERIMÔNIA VAI COMEÇAR!"
-
Não direi absolutamente nada hoje porque em vez de escrever encontrei esse vídeo. É bem mais construtivo assisti-lo. Ou mais destrutivo. Não sei, O que você acha?


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O centro funcional


"Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque não podia mais acreditar e adoro acreditar. Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi a minha dor e ainda não estou acostumada com a ausência dela"
[Anais Nin]

Como adaptar-me? Onde achar aquela coisa que não encontro em copos amargos e nem em minhas decadências despedaçadas? Como saberei que estou viva sem cortar minha carne?
Respirar oxigênio é monótono porque meus pulmões não querem apenas ar. Amar é muito POUCO porque meu coração não cabe no meu corpo.
Não sei pra onde fugir quando pretendo me esconder de mim.
E tudo isso só por que sou muito frágil para me virar aqui fora, onde sou tão miúda e tão medrosa, ainda não sei como ser gente grande num mundo que não é nenhum pouco cor-de-rosa.




domingo, 7 de fevereiro de 2010

BORDER DE CU É ROLA

sou muito insegura para ser escritora. Como um escritor precisa ser?
sabe, quando eu era mais nova, eu achava que escrever era a coisa que eu sabia fazer de melhor, que eu tinha nascido com um dom. Escrevia poesias, quase todos os dias eu escrevia centenas de poesias, e achava que realmente tinha nascido para aquilo, porque aquilo saia facilmente de mim

- insegurança
-falta de prazer (nao consigo sentir prazer normalmente)
-medo de critica
-não consigo me relacionar com as pessoas
-medo de ficar sozinha (acho que preciso sempre estar com uma pessoa, porque é muito ruim ficar sozinha comigo mesma, especialmente quando estou em publico)
-nao vou a faculdade se o miguel nao vai, medo de ficar sozinha
-desconfiança: acho que o fato de eu parecer muito mais nova do que eu realmente sou afeta minha personalidade, as pessoas não dão credito pra mim, e eu acabo agindo como uma criança
-não consigo me empenhar nas tarefas que não sei fazer direito, desisto muito rápido porque tenho vergonha de tentar,
-atenção (isso precisa ser muito trabalhado) preciso de tarefas, exercicios, mas eles precisam ser cobrados senão eu acabo não fazendo
ansiedade, preocupação
-relacionamentos superficiais, evito ficar sozinha com uma unica pessoa, medo de que ela me reprove
-muita preocupação com que as pessoas pensam de mim
-exagero situações. minha mae não está me cobrando emprego, eu me senti cobrada pela minha propria consciencia
-odeio situação de rotina, mas me sinto segura dentro dela. MUITO MEDO DE MUDANÇA, qqr mudancinha é motivo para um inferno astral.
-fujo dos meus medos. [medo de atender o balcao, medo de matematica, medo de quimica, fisica, medo de ir ao médico] não tenho forças para enfrentar os problemas por mais pequenos que eles possam ser, eles parecem que nunca terão solução, me bato, (me arranho no peito) em casos de raiva mais ansiedade = me corto
- necessidade de fujir do tédio
-inferior as pessoas, quase todas
-medo de pessoas mais velhas do que eu
Ñ quero bodiar, acho q não vou conseguir parar
falta de interesse até mesmo pelas coisas que me interesso (ler para aprimorar minha escrita, faculdade, aprender mais a fundo as coisas que me interessam torna-se entediante demais

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

parafilia

Ejaculo. Transpiro.
Ouço o seu distante passo...
Gotas de tua excreção,
como eu anseio!
Encaixo-me em teus afagos,
teu clitóris suado.

[Suspiro.
calado]

chupo tuas vísceras
estupro teu corão
até scat, eu não reclamo
Sussurro,
difuso
porque te amo sem razão










terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sexo ou mentiras atraentes?



"It's fascinatin to observe what the mirror does
but when I dine it's for the wall that I set a place"

->
Richard Hell & the Voidoids

[...]

Se sou caótica?
Uma pessoa caótica. É... o caos faz sentido. Uma personalidade que me atrai é a delinqüente: que comete delitos. Um homem? Ah! Aquele que diz que é meu homem e diz também: "tão bom pegar em suas mãos!" Ele geralmente dizia isso quando estava aqui. Ele era romântico-piegas, mas eu gostava. Heróina era a minha droga, era a nossa droga. Mas não uso mais drogas desde que ele foi embora. De vez em quando, uns comprimidos de codeína, mas é difícil, sabe, tenho que masturbar o babaca da farmácia. Nojento. Mas puxo um fumo, sabe como é, eu realmente parei de usar drogas. Tu tá pensando no tédio que deve ser, né? Cheiro cola quando o tédio bate pra valer. Não, mas não faço só isso da vida, faço muita coisa também, você entende? Pra viver, e tal. Roubo umas coisas, mas só aquelas que eu acho que não vão fazer falta pro dono, sei lá, aquelas coisas que as pessoas compram e nunca usam, entendeu? Legal? Não, legal não é, háháhá, mas devia ser, né, é um meio de sobreviver. Cato coisas no lixo também. De vez em quando, as pessoas jogam coisas boas no lixo.
Não, não saio mais por aí pedindo pra ele voltar. Quando alguém precisa de você, aí sim pede pra você voltar, entendeu? Eu estou na minha. Não sou mais uma garotinha sozinha, virgem, sabe como é? Eu já dei pro bairro todo, a gente precisava levantar uma grana. Acho que se ele me amasse de verdade, ele pedia pra eu voltar.

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sábado, 23 de janeiro de 2010

interiorizar o choque

Ossos quebrados. É difícil ser pequeno e fraco para lutar contra esse monte de babuíno do caralho!
Disputas incontáveis por restos de comida, leite coalhado ou então, para saber quem vai limpar a merda dos porcos dessa vez. Batalha perdida, sempre.
Às vezes, vou dormir com a porra do estômago roncando. Não tenho vez, as hienas mortas-de-fome já brigaram pelo seu pedaço de carniça. A lei do mais fraco é: foder-se o máximo que puder.
Acontece também de algum parasita se instalar no meu corpo. É assim: O verme come toda a sua comida e depois caga dentro de você.
Cara, aqui o teor de comportamentos instintivos dos bichos é muito perigoso, é um verdadeiro cada-um-por-si num quadrado de cimento onde estamos enjaulados.
Por fim, percebo que sou o animal inválido do lugar e resolvo tomar um monte de remédios para dormir porque dormir para sempre seria um bom remédio.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

desordem neurológica



A sociedade nada mais é que a selva, eu sou o coelhinho doente mental e frustrado, perdido nesse monte de lixo, banido da turma de coelhos-normais. Fodam-se os coelhos normais, trepando e procriando o tempo inteiro, fugindo de qualquer perigo, comendo cenoura em suas tocas ocas. fantasio-me de lobo-mau-faminto-muito-faminto-e-pederasta, enfio cenouras em seus cuzinhos sujos, como a carne crua de suas caras lavadas, sem pestanejar.
Envolvo-me em problemas patéticos, entro em ruas sem saída, ouço ruídos estranhos na casa. Déficit de atenção e discalculia; erros ortográficos: puro charme. Cocaína faz bem para o coração, cola para ativar neurônios, gotas de codeína na comida, chá-verde, domingos pútridos como o ventre em decomposição de uma puta do Brás. A vida em cor-de-rosa.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

maldade refletida: oferecer-me.



Olha, eu gostaria tanto de ser ao menos engraçado! Eu gostaria tanto de nunca mudar de lado. Eu gostaria que você nunca partisse e eu ficasse, sem nada. É, sem nada e nessa confusão. O que é que vou fazer?
Eu acho que estou impotente, um Arturo Bandini viciado em fracasso.
Minha idiotice maior, é não perceber o mundo sem você, manter-me acordado, fumando cigarros baratos na janela do meu quarto a meia-luz, e gostar tanto de sofrer.
Cai na inocência de querer ser mal. Tá vendo só? Nem isso consigo ser, e acabo sempre doando tudo de mim pra ti, distribuo meu amor em panfletinhos no farol.

Papel sujo, você descartou em qualquer esquina da cidade.
Se você não faz questão, eu ajoelho e choro a tua ingratidão.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O teu retrato

Nunca me destes teu retrato lindo
Nunca quisestes que eu contente o visse
E quando acaso eu o pedia rindo
tu me dizia: Não te dou, já disse!

Louca eu ficava, mas depois sorrindo
De novo com carinho e com meiguice
O teu retrato ia outra vez pedindo
E sempre ouvia: Não te dou, já disse!

E assim, tristonha e por demais descrente
Eu prosseguia sem ter, mas na mente
Doce esperança de ganhar um dia

Mas hoje, sem querer, Oh! Que alegria
Tenho no peito que o prazer devora
gravando aquele que me negaste outrora

Bragança, 05-10-1932

Aurora Alvarez

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O que tem de novo?

Os dias são, e o tempo um fragmento: um culto, artificial-relógio: surgem as horas.

O vidente fala da fumaça no céu, promessas para santos: quebradas; as sete ondas no mar, oferendas para Yemanja, Ogum de ronda, Odociá.

O que tem de novo em chamar ano de novo? É tudo igual ontem, o que é hoje e o que é amanhã.

E, lá na mata, um indiozinho pergunta para o velho curandeiro: Mas Quanto tempo tem o tempo?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Velho Hábito.

ENTERROS SÃO FARSAS CERIMONIAIS
E OS MEUS, BEM, ELES SÃO OS MELHORES.


E então um dia, o amor morre. Ele fica doente antes? Não sei, e como saberia?
Domingo é o enterro, não sei bem se devo ir de preto. Está fora de moda. Não, preto nunca sai da moda. Amor sim. Super fora de moda. Caí no ridículo de amar. O que faço eu, agora? Não sei, e como saberia? Cor-de-rosa seria muito alegre para um enterro?

E era como eu já dizia:
Enterros são...

domingo, 20 de dezembro de 2009

A Praça da República dos meus sonhos

"A estatua de Álvares de Azevedo é devorada com paciência pela paisagem de morfina

A praça leva pontes aplicadas no centro do seu corpo
E crianças brincando na tarde de esterco
Praça da República dos meus sonhos
Onde tudo se fez febre e pombas crucificadas
Onde beatificados vem agitar as massas
Onde Garcia Llorca espera seu dentista
Onde conquistamos a imensa dossolação dos dias mais doces
Os meninos tiveram seus testículos espetados pela multidão
Lábios coagulam sem estardalhaço
Os mictórios tomam lugar na luz
Os coqueiros se fixam onde o vento desarruma os cabelos
Delirium Tremis diante do paraíso
Bundas glabas sexo de papel
Anjos deitados nos canteiro cobertos de cal
Água fumegante nas privadas
Cérebros sulcados de acenos
Os veterinários passam lentos, lendo Dom Casmurro
As jovens pederastas embebidos em lilás
E putas com a noite passeando em torno de suas unhas
Há uma gota de chuva na cabeleira abandonada
Enquanto o sangue faz naufragar as corolas
Oh, minhas visões
Lembranças de Rimbaud
Praça da República dos meus sonhos
A última sabedoria debruçada numa porta santa".

[R.Piva]

-

LINDO! LINDO! LINDO! LINDO!


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Eu nunca conheci alguém como você antes.

No fundo, de fato, eu gosto demais de você para colocar a realidade como ela é. Eu não quero ver, não quero acreditar em nada que não seja o mundo e todo o resto eterno, porque tudo que está girando ao meu redor agora é a sua presença, a sua doce presença.
Frenético, dança frenético, noites de sono perdidas; O amor: uma parte de mim que se multiplica.
Você é o que eu posso ver em mim sem estar diante do espelho. Grandes olhos castanhos, cigarros amassados no bolso, copos de martini, unhas quebradas, auto-suficiência é um erro, será que somos um erro? Um grande erro dos Deuses?
Estamos correndo o perigo que gostamos de correr, nossos excessos, nosso palco é a desculpa de todos para viver uma vida infeliz e monótona, e agora eu tenho certeza, nós podemos aproveitar um pouco melhor o que nós temos.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A parte que me toca

Eu não posso poupar-me de sofrer porque não posso poupar-me da perda. E a perda é a coisa mais liquefascistóide que preciso lidar. A propósito, isso causa-me um espanto e tanto! Perder coisas, tanto faz se deploráveis, don´t care, baby - perdendo, não é? - D-Ó-I.

As dores são tão clichês às vezes... Na essência. Os sonhos faltam-me agora, e essa é a verdade. Uma incontinência contínua, o mundo transformando-se em plano de fundo para todas as desgraças cotidianas, domingos virando segundas, segundas: terças; E eu?

Perdendo tempo, perdendo algo importante ou não, Perdendo um ar vazio de estupidez. Eu estou perdendo todo meu sangue agora.

Não sou nem um pouco adequada.
Chamem outra pessoa.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Oito de Dezembro.

- Hey Jim, não é seu aniversário, cara?
- Apaguem as luzes, pode ser?

[Dá um gole de uísque]

O filme começará em cinco minutos - a voz anunciou
Quem não entrou, pode esperar pela próxima sessão.
Seguimos lentamente, pelo corredor
O auditório era grande e silencioso.
- O filme não é novo, já foi visto várias vezes. Nascimento, vida e morte, vocês já sabem o resto.

Sua vida era boa quando morreu?
Boa o bastante para um filme, hã?


[Boa o bastante para um filme]

domingo, 6 de dezembro de 2009

A sensação de ser uma pessoa substituta:

Quando alguém aparece precisando de você, dorme na sua casa com a sua roupa de dormir, passa dias e dias fazendo tudo aquilo que você faz, viaja com você para vários lugares, ônibus, estações, trens, as mesmas músicas, as mesmas comidas; Mas no fundo tudo isso é vazio, tudo isso não faz sentido. Não importa, não importa, não importa, não quer admitir o cargo de pessoa-substituta.
Mas você sabe, não sabe? Tão logo, já não é mais precisada.

Não dá pra saber o que ficou de você, se é que algo ficou, porque alguém levou algo verdadeiro seu, e sem ao menos pedir, não era necessário: você simplesmente deu, doou. Dói quando alguém joga fora tudo que podíamos dar, não é?

Tente qualquer coisa agora: caminhadas, yoga, aulas místicas, parar com as drogas, drogar-se mais ainda, ler livros cafonas, meditação, fugir, voltar, uma nova identidade, ah...nada vai mudar. Qual é mesmo seu nome?

[...]

Continuará sendo uma pessoa para preencher lacunas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Despersonalização

As flores não fazem diferença, nem a rua, nem a estrada, tudo parece igual e vazio, tudo parece sem sentido. Não sei mais quem são as pessoas, e quem sou eu? Quem o quê?
É isso: Torço para existir, para deixar de existir. Um soco no estômago para ver se eu fulmino! Será que funciona? Nem cocaína e nem coca-cola, frascos de vidro perfume ou de lítio. - Engolir com uísque todos os comprimidos - Tudo fica vazio depois de umas horas, complexo das horas, "cinza das horas", não adianta fingir, omitir, palavras vazias, sexo noturno sempre distrai, chocolate, sorvete, seringas: comprá-las aos montes; manter suas veias nas minhas atrai, chorar sem motivo, quem tem motivo? Gastar dinheiro, roubar, café resolve, resolve o quê? Vomitar pra emagrecer, comer para esquecer, andar para suar, banho para acalmar.