É na boca do estômago que sinto todo meu amor. Ele sobe pelo esôfago e chega na garganta, preciso vomita-lo em algum lugar, em alguém, eu preciso vomitar toda essa merda que há muito não me mantém.
Talvez eu tenha um infarto do miocárdio antes de completar 25 anos, é normal pra alguém como eu: psicótica, neurastênica, frágil e indócil.
Hoje falta oxigênio, e eu não preciso apenas de ar, eu preciso me afogar numa merda muito grande de amor profundo, eu não sei ser alguém quando não vou além.
Há algo fodendo com o meu peito e eu não sei se ainda tenho esse direito. Continuo camuflada, obervando muda esse final feliz amargo. Dói quando eu vejo que está tudo bem e que o nosso tudo bem tornou-se impossível.
Agora eu sei, você fez de mim uma pequena puta promíscua e histriônica, a culpa toda é sua, e, bem, eu quero ser uma.
Histriônica promíscua filha da puta.
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
comendo um corpo morto.
Eu sou uma aberração. Uma porra de uma aberração. Tenho cinco anos de idade dentro desse corpo comprido e cheio de imperfeição.
Todos os orgãos do meu corpo acabaram de nascer, especialmente o meu cerébro. Tenho mais de 100 bilhões de neurônios girinos germinando e morrendo dentro dessa merda de cabeça. Por fora, meu esqueleto tem vinte e dois anos. A face ainda tem cinco. Olhos de criança pidona, grandes olhos que tudo querem mas lambem com a testa a maior parte do tempo.
Toda criança tem um cerébro elástico, pronto para crescer. O que tem dentro da minha caixa craniana é inflexível. Retrocedendo esporadicamente.
Os anos que se passaram além destes cinco que possuo foram inalados para dentro de mim. Como grossas carreiras de cocaína, os anos foram devolvidos para sua fonte: meu corpo. Foi uma grande euforia viver vinte e dois anos sem lembrar de absolutamente nada. Depois que os anos voltam para dentro, jorra sangue quente de dentro do nariz, expulso toda a felicidade e o que volta para dentro é a capacidade de diminuir minha vida cada vez mais e para menos; pálida e chorona, a bad da farinha é a minha eterna infância, correndo por todas as veias e artérias, chegando finalmente ao coração semi-novo da garotinha que ainda rabisca a cara das bonecas.
E ela nunca vai crescer. Nunca.
Todos os orgãos do meu corpo acabaram de nascer, especialmente o meu cerébro. Tenho mais de 100 bilhões de neurônios girinos germinando e morrendo dentro dessa merda de cabeça. Por fora, meu esqueleto tem vinte e dois anos. A face ainda tem cinco. Olhos de criança pidona, grandes olhos que tudo querem mas lambem com a testa a maior parte do tempo.
Toda criança tem um cerébro elástico, pronto para crescer. O que tem dentro da minha caixa craniana é inflexível. Retrocedendo esporadicamente.
Os anos que se passaram além destes cinco que possuo foram inalados para dentro de mim. Como grossas carreiras de cocaína, os anos foram devolvidos para sua fonte: meu corpo. Foi uma grande euforia viver vinte e dois anos sem lembrar de absolutamente nada. Depois que os anos voltam para dentro, jorra sangue quente de dentro do nariz, expulso toda a felicidade e o que volta para dentro é a capacidade de diminuir minha vida cada vez mais e para menos; pálida e chorona, a bad da farinha é a minha eterna infância, correndo por todas as veias e artérias, chegando finalmente ao coração semi-novo da garotinha que ainda rabisca a cara das bonecas.
E ela nunca vai crescer. Nunca.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Estou sorrindo porque sempre supunho demais.
Il ne faut jamais désespérer

Amei em demasia, confesso. Jorrei toda cólera concentrada em meu peito. Agora todo meu liquido suja o seu corpo limpo. Penso em você como vida. Eu sou toda a morte. O amor que depositei dentro do seu corpo, esse amor não tem comparação.
Eu digo: "Escuta aqui, meu bem, não há mais o que fazer, você trepou por cima de mim, agora é melhor morrer de alguma doença das boas. Eu não brilho mais, mas você, você é toda fonte de vida que eu conheço."
Vejo-te pegando um cigarro naquele maço amassado, no bolso traseiro da calça suja, vai logo dizendo: "Você chama isso de vida? Como acha que eu me sinto?" então você desaba a rir, esporra merda sobre mim, sobre minha mente estúpida, sobre toda minha crueldade.
Não importa o que aconteça estamos juntos. Não importa o quanto você se afaste. Há um laço eterno entre nós. Você é minha vida e eu sou a tua morte.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Hoje eu aceito toda espécie de dor
que faça-me sentir alguma espécie de amor. Não importa, talvez eu seja só uma criança pequena tentando sentir alguma coisa. Como quando boto a mão no fogo ou... quando faço xixi na cama
domingo, 1 de agosto de 2010
Por favor, não morra.
Tô confusa, como sempre. A boca tá seca de estabilizador de humor e antidepressivo. Foda-se. Eu sou mesmo todo o caos.
O que devo fazer quando a paixão é como Henry Miller?
Seja como for, não me preocupo mais.
Estou imersa nessa putaria.
A noite tá fria. Toca Neon Boys.
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O que devo fazer quando a paixão é como Henry Miller?
Seja como for, não me preocupo mais.
Estou imersa nessa putaria.
A noite tá fria. Toca Neon Boys.
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terça-feira, 27 de julho de 2010
para hoje: James Dean
Cada excremento de dor vai diluir dentro de mim,
eu não conheço mais o caminho sozinha
a cidade é tão vazia, a cidade é tão poluída
e eu continuo andando sempre e sempre
amaldiçoada e iludida.
cada excremento de dor vai virar açúcar
tá certo então, antes de tudo explodir
antes de tudo partir como tem de ser
volte e diga,
benzinho, eu nunca vou mentir.
cada excremento de dor vai infartar
dentro do meu peito não há mais
a porra do amor perfeito
dentro do banheiro
todo mundo me mima
todo mundo é querido
e todo mundo me ama.
eu não conheço mais o caminho sozinha
a cidade é tão vazia, a cidade é tão poluída
e eu continuo andando sempre e sempre
amaldiçoada e iludida.
cada excremento de dor vai virar açúcar
tá certo então, antes de tudo explodir
antes de tudo partir como tem de ser
volte e diga,
benzinho, eu nunca vou mentir.
cada excremento de dor vai infartar
dentro do meu peito não há mais
a porra do amor perfeito
dentro do banheiro
todo mundo me mima
todo mundo é querido
e todo mundo me ama.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Eu já sei o que é amar até sair meleca da barriga.
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que nem quando apertamos a barriga do peixinho.
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que nem quando apertamos a barriga do peixinho.
terça-feira, 20 de julho de 2010
A vida é um assassino
Agora só me resta rir e tentar fugir daquilo que já me foi planejado desde a porra do ventre frio. O prato em que você comeu está todo cuspido, a água que eu bebi me afogou: nada muda, nada muda, não é mesmo?
correr sem roupa na chuva, o vento assopra, comer a marmita gelada de um maníaco compulsivo, o mundo arrota.
Vejo tudo acontecer conforme foi previsto, nada falo.
Eu sou só um serviçal da sua derrota. Eu gosto dessa condição.
Escrevo torto em linhas ...

quinta-feira, 15 de julho de 2010
vai mudar o nome e talvez a cor, mas vai continuar morto e doentio; até o fim.
Não mais inocente.
Nunca tinha visto ninguém injetando merda dentro da veia principal no banheiro sujo de um bar qualquer, nunca andara de estação a estação com um alguém em coma, nunca trepou dentro de um elevador, nunca jogaram suas calcinhas pela janela, nunca a chamaram de puta, nunca cheiraram cocaína na formatura, nunca vomitou suas tripas dentro de sacolas de mercado por causa de elixir paregórico, nunca comprou receitas de remédios, nunca subornou farmacêuticos, nunca colecionou caixas de codeína, nunca perdeu os sonhos para viver os de alguém que estava morto.
nunca tinha visto olhos tão caidos e vazios - O vazio de quem não tem nada a perder.
Abuso mental fez dela uma doente.
Todo mundo é feliz hoje em dia; menos quem perdeu a vida aos dezessete e até hoje não sabia.
Agora que ela sabe, tem saudade de viver.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Não posso dizer eu te amo, coma bem, obrigada, volta logo, saudades, se cubra, tome cuidado, toma banho, como é bom ter você, vamos dormir, desliga o computador, coloca uma música bonita, sunday morning, vamos passear, vamos tirar fotos, vamos dançar, vamos ficar a noite toda acordados sentindo que está tudo bem.
terça-feira, 13 de julho de 2010
É melhor sofrer agora do que sofrer depois
UM ROMÂNTICO INCURÁVEL? [você?]
"LOUCURA É A GENTE NÃO SE VER" [agora você não acha mais isso]
É MELHOR SOFRER AGORA DO QUE SOFRER DEPOIS
[essa é a única coisa que você tinha razão]
eu não fazia a menor idéia do que você queria dizer com essa merda de frase, mas agora eu sei.
"LOUCURA É A GENTE NÃO SE VER" [agora você não acha mais isso]
É MELHOR SOFRER AGORA DO QUE SOFRER DEPOIS
[essa é a única coisa que você tinha razão]
eu não fazia a menor idéia do que você queria dizer com essa merda de frase, mas agora eu sei.
sábado, 10 de julho de 2010
A Dama do Cabaré

"Com este samba, Noel despediu-se de Ceci. Toda a armagura provocada pelo amor fracassado aparece nessa obra tão endereçada à "Dama do Cabaré", que ele pediu ao companheiro Vadico que entregasse a letra a ela. Segundo contou Ceci ao jornalista, crítico e historiador Ary Vasconcelos, ela recebeu a letra junto com a notícia da morte de Noel. João Máximo e Carlos Didier contam que, ao entregar a letra, Vadico comentou: "Acho que ele te castiga um pouco nesse samba, Ceci. [...]"
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Nosso amor que eu não esqueço,
e que teve o seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete,
sem retrato e sem bilhete,
sem luar, sem violão
Perto de você me calo,
tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero o seu beijo
mas meu último desejo você não pode negar
Se alguma pessoa amiga pedir
que você lhe diga Se você me quer ou não,
diga que você me adora
Que você lamenta e chora a nossa separação
Às pessoas que eu detesto,
diga sempre que eu não presto
Que meu lar é o botequim,
que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim
Eu escolhi essa letra para ser entregue junto de minha morte
[dez de julho de dois mil e dez]
quinta-feira, 8 de julho de 2010
unfollow
Alguém me disse que não queria mais ver o blog pois ele estava triste. A pessoa que mais me apoiou a escrever e de repente diz: "é muito triste" - Também dói, também é triste. Penso em não mais escrever. Deixar de escrever como deixou de ler.
Sinto-me decadente, em todos os aspectos. poeticamente e também enquanto pessoa.
Sinto-me decadente, em todos os aspectos. poeticamente e também enquanto pessoa.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Piva

Piva escolheu morrer no mesmo dia que um dos seus ídolos, Jim Morrison. Ele escolheu, eu gosto de acreditar assim. Piva era carne, ossos, peito e cerébro. Grande cerébro. E não foi a toa que nasceu e morreu poesia, que foi o que foi e se foi numa noite fria.
A morte é a ordem do dia, ele disse.
minha dor é um anjo ferido
de morte
você é um pequeno deus verde
& rigoroso
horários de morte cidades cemitérios
a morte é a ordem do dia
a noite vem raptar o que
sobra de um soluço
efedrina, palpitações e bob dylan
Não sei por onde começar. Vou começar dizendo que sou indecisa. Decida por mim por onde começar? [...] Ok. Vou começar falando sobre o Bob Dylan. Não, não, vou começar falando sobre como eu gosto de me apaixonar e por quem me apaixonei hoje. E ontem. E semana passada.
hum...ou eu devo começar falando sobre a efedrina? Sobre um delicioso xarope de efedrina que deixa sua boca seca, com taquicardia, ansiedade, agunstia, insônia, além de tonturas, palpitações, excitabilidade, distúrbios psicológicos e psicoses.
Também posso começar falando sobre como te acho engraçado! Como gosto de ficar ao seu lado e as noites frias tornam-se quentes, gosto de ver você dando risada, a sua risada é gostosa e bonita e seu cabelo, ah, eu amo o seu cabelo; castanho claro, quase loiro, sabe, de nenem, como eu gosto do seu cabelo!
Acho que ficaria melhor começar pelo bob dylan. Pelo jeito charmoso de se vestir e fumar, dos olhos azuis, dos signos, das conversas...
Devo começar dizendo, como eu gosto de ter tanta coisa para começar!
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