terça-feira, 30 de novembro de 2010

NÃO SE ESQUEÇA QUE,

não adianta fumar se não substitui a codeína. não adianta cheirar se não rende a cocaina, não adianta amar se vão te abandonar, não adianta ter familia se ela só te fode, não adianta ter um emprego se você nunca tem dinheiro, não adianta manter saúde se vai morrer com 30, não adianta ter esperança se não vai acontecer, não adianta ganhar se logo após você só vai perder, não adianta dormir se você precisa acordar, não adianta lutar se você não vai vencer.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

louvar o amanhecer para que?

não há nenhum filho da puta perto de mim que liga
eu sei que não terei mais nenhuma manhã
agora não preciso mais tomar cuidado
porque o mundo já passou a perna em mim

são apenas anos desperdiçados ?

não é nada, é a porra toda fincada em você
manhãs de domingo, você nunca mais vai ter.










quarta-feira, 10 de novembro de 2010

rejeitado do jeito errado

Rejeita-me ao mesmo tempo que entra em mim
como num exorcismo carnal
dilacera aquela podridão de orgão oco,
tão exagerado!


senilidades são apenas nossas muletas
se há algo a ser dito que seja esquecido.
não se preocupe com essa rejeição
ela é carinhosa
te beija
e deixa em você uma docê infecção.


mande toda a sua dor

pra dentro do meu útero
com toda força do mundo
empurre suas frustrações
a fundo

sou só uma lixeira vazia
me envolva em toda a tua merda
entupa-me da tua sujeira

a tristeza

não é como a indiferença
ridicularizando sem nenhuma pena

sem-com-paixão
abraça-me e diga
que és um poço de ruindade
e da tua válvula de escape
não tens a menor piedade

sábado, 6 de novembro de 2010

te amo e te desprezo

Sem qualquer chance de escapar
corta agora, porra,
corta a minha jugular.


Pareço inocente mas sou teu algoz
Ajoelha sobre meu peito, vai,
desaba em mim teu maior medo

não faz mal agora, tudo volta de onde veio e
você vai voltar pra mim com sangue fresco



NÃO ADIANTA ME ENTERRAR
estamos os dois presos
a um destino singular


você sabe que eu não vou esquecer
e vou esperar pacientemente por você.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

VAI ESTAR EM MIM ATÉ O FIM DOS DIAS

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preferia que você tivesse morrido

Hoje chorei dentro de um ônibus, com o sol escorrendo pela minha testa, estava ouvindo a música que mais define a minha dor. eu chorei e pensei em toda a história da minha vida, talvez essa história não tenha mais o menor sentido ou valor. Então eu pensei comigo mesma, bem que você podia ter morrido, porque a história estaria viva e eu seria a mesma.

Mas,

a história morreu e ainda temos vida,
agora dá um nó na garganta

só resta correr e vistir sua melhor roupa
começou a pior das tuas mentiras

atire em mim
com um grande rifle

um jato da tua vingança

vista a roupa para a maior
das mentiras

não importa o quanto pense que tudo está diferente
porque bem lá no fundo sabe que não está
e no final
bem lá no final
quem "vai estar no fim do túnel
para onde corremos"

...

apenas
nós mesmos.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

a música certa, a pessoa errada e mais uma cara esporrada

veja só, eu estou de saída em mais uma de suas parábolas de mentira
engoli um saco de suspiros e agora subiu muito a enforfina
não consigo pensar em nada tão terrivel assim;
estou escutando "NO DARK THINGS"

E, é. Isso é meio que o que eu quero pra mim.
Entendeu?
Alguma coisa tá errada aqui dentro,
há uma porra enorme de tempo;

É que eu tô passando pela pior fase da minha doença
nunca me senti tão inexistente assim.

percebe que o dia acabou e que nada mais mudou?
percebe que os gritos são como murros e que
eu estou farta de quem está em cima do muro?

Depois que a mentira passar
vai ficar só
o que restou de mim
talvez
não tenha
restado
nada

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

tropece em mim toda a sua má sorte

sabe que eu tenho transtorno de personalidade borderline com sintomas de personalidade dependentes e histriôica. e isso quer dizer que eu sou uma puta duma pessoa vazia.
mas ainda assim, daria toda a porra da minha vida pra lembrar que é ter sentido;
pra saber qual é o sentido disso.

eu desperdicei minha vida
mas eu sei que isso não importa, eu sou mesmo um grande desperdicio
auto-controle em mim é algum tipo de autópsia
algum tipo de destruição,
como um grande foda

que acaba e num goza


acho que nunca mais terei algum sentido
mas agora, agora tá tudo bem,
tudo bem.

não tá?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cansarás do câncer do tempo





Esgotarás






porque tu és vazia







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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

des-caso









Não posso mais esperar por você
foi então que te inventei

psiquiatricamente hipocondríaca
paixão é só patologia

assim, vou corroendo seu coração
passo a passo,
eu não sei mais o que eu faço

apesar de nua e crua

eu disfarço o anti-amor
com mero descaso




domingo, 19 de setembro de 2010

descrente

por favor permaneça ou desapareça
de mim;
como água quente, me queime.
eu já não sei se eu sei
ao menos o suficiente.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Elefantes e Diamantes

Começo a rir pelo puro prazer de rir. Começo um amor pelo puro prazer de me iludir, fecho os olhos e penso: é incrível!

Apenas faça isso novamente.


loucura.euforia.frio.distância.perigo.traficante.
polícia.cigarro. E: Ele.
Sumiu por aquele corredor negro e estreito, correndo o mais que pôde, se esquivando. Ele as acende, elas brilham. A janela é um grande cinzeiro e o mundo uma privada. Nós somos as merdas e você é a descarga. Tá bom assim?

Tá bom que eu era quem falava muito e você quem cantava?
Eu quase vomito, aspiro, sorrio, aspiro, vivo, morro, transpiro, corrijo e depois de tudo percebo, uma estrela narcótica acaba de nascer.

Enquanto você me mostra o caminho eu vou te inundando de amor e mijo, vamos ser sinceros um com o outro: como loucos.

Você me faz existir e me faz regredir.
Elefantes e Diamantes.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

DEVANEIOS ROMÂNTICOS.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sem isto e sem aquilo

Quando te conheci, você despejou um olhar muito terno sobre mim, um olhar terno e triste, havia muita confusão naquela sua cabecinha de dezessete anos. Eu estava na varanda de um prédio no centro daquela cidade desconhecida por mim até então, aqueles rostos infantis me invadiam sem piedade. Havia uma garota que, todos diziam que era a mais bonita, quando eu a vi, entrei em choque: não passava de uma garota com uma cabeça enorme e uma mini-saia jeans. Aquele grande crânio parecia mais uma luminária esbanjando luz por todo o centro daquela cidade fracassada, chucra, entediada de bebês borrados de merda falando alguma coisa sobre um astro do rock do interior. Quem era aquele astro do rock provinciano, afinal?
Era você, lá embaixo, grandes olhos caidos, sua mãe estava te acompanhando. Senti pena daquela mulher. Ela parecia triste, vencida pelo tempo e pelo destino que lhe pregara uma peça.
Havia um grande pesar em seus ombros, cabelos desarrumados, boca silenciosa.
Lá de cima, olhava para você com muita curiosidade. Seu jeito era muito peculiar e não havia emoção nenhuma em seu rosto. Era totalmente vazio, um rosto caído e triste.
Desci as escadas ao seu encontro, a primeira impressão que causou-me foi de ser uma pessoa má. Tive medo. Medo de que você dissesse algo que me machucasse. Me ferisse. Preferi ficar em silêncio ao seu lado.
"Hoje eu não vou cheirar" - Certamente disse isso só para impressionar, aqueles seus olhos caídos confessavam isso sem que você pudesse perceber.

Hoje eu coleciono cartelas de remédios para transtornos mentais, para me proteger da solidão e das ansiedades banais de cada dia. Proteger-me do amor e do anti-amor. Coleciono as cartelas vazias, elas parecem com o que meu corpo é por dentro. As capsulas estão todas agora em alguma parte do meu ser, me fazendo chorar de novo, fazendo com que eu volte a te perder.
A casa toda está repleta de cartelas vazias, misturam-se com os brinquedos da minha sobrinha, com a merda do cachorro fedendo na cozinha. Eu acendo um cigarro e sento na sacada. É mais uma noite perfeita, você está escovando os dentes agora. Eu estou tentando esquecer de mim e conhecer alguém, alguém bom. Tudo isso tem muito a ver com você. O psiquiatra, os remédios, o diagnóstico, a doença, os rios que correm dentro de mim e desaguam borbulhando dentro da minha boca. Você é o ralo através do qual sou forçada a entrar, há alguma espécie de trauma em mim agora porque esse ralo está sempre entupido.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Entre o cômico e a cólera

É na boca do estômago que sinto todo meu amor. Ele sobe pelo esôfago e chega na garganta, preciso vomita-lo em algum lugar, em alguém, eu preciso vomitar toda essa merda que há muito não me mantém.
Talvez eu tenha um infarto do miocárdio
antes de completar 25 anos, é normal pra alguém como eu: psicótica, neurastênica, frágil e indócil.
Hoje falta oxigênio, e eu não preciso apenas de ar, eu preciso me afogar numa merda muito grande de amor profundo, eu não sei ser alguém quando não vou além.
Há algo fodendo com o meu peito e eu não sei se ainda tenho esse direito. Continuo camuflada, obervando muda esse final feliz amargo. Dói quando eu vejo que está tudo bem e que o nosso tudo bem tornou-se impossível.
Agora eu sei, você fez de mim uma pequena puta promíscua e histriônica, a culpa toda é sua, e, bem, eu quero ser uma.

Histriônica promíscua filha da puta.


HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.


domingo, 8 de agosto de 2010

comendo um corpo morto.

Eu sou uma aberração. Uma porra de uma aberração. Tenho cinco anos de idade dentro desse corpo comprido e cheio de imperfeição.
Todos os orgãos do meu corpo acabaram de nascer, especialmente o meu cerébro. Tenho mais de 100 bilhões de neurônios girinos germinando e morrendo dentro dessa merda de cabeça. Por fora, meu esqueleto tem vinte e dois anos. A face ainda tem cinco. Olhos de criança pidona, grandes olhos que tudo querem mas lambem com a testa a maior parte do tempo.

Toda criança tem um cerébro elástico, pronto para crescer. O que tem dentro da minha caixa craniana é inflexível. Retrocedendo esporadicamente.

Os anos que se passaram além destes cinco que possuo foram inalados para dentro de mim. Como grossas carreiras de cocaína, os anos foram devolvidos para sua fonte: meu corpo. Foi uma grande euforia viver vinte e dois anos sem lembrar de absolutamente nada. Depois que os anos voltam para dentro, jorra sangue quente de dentro do nariz, expulso toda a felicidade e o que volta para dentro é a capacidade de diminuir minha vida cada vez mais e para menos; pálida e chorona, a bad da farinha é a minha eterna infância, correndo por todas as veias e artérias, chegando finalmente ao coração semi-novo da garotinha que ainda rabisca a cara das bonecas.
E ela nunca vai crescer. Nunca.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Estou sorrindo porque sempre supunho demais.


Il ne faut jamais désespérer





Amei em demasia,
confesso. Jorrei toda cólera concentrada em meu peito. Agora todo meu liquido suja o seu corpo limpo. Penso em você como vida. Eu sou toda a morte. O amor que depositei dentro do seu corpo, esse amor não tem comparação.
Eu digo: "Escuta aqui, meu bem, não há mais o que fazer, você trepou por cima de mim, agora é melhor morrer de alguma doença das boas. Eu não brilho mais, mas você, você é toda fonte de vida que eu conheço."
Vejo-te pegando um cigarro naquele maço amassado, no bolso traseiro da calça suja, vai logo dizendo: "Você chama isso de vida? Como acha que eu me sinto?" então você desaba a rir, esporra merda sobre mim, sobre minha mente estúpida, sobre toda minha crueldade.

Não importa o que aconteça estamos juntos. Não importa o quanto você se afaste. Há um laço eterno entre nós. Você é minha vida e eu sou a tua morte.


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Hoje eu aceito toda espécie de dor

que faça-me sentir alguma espécie de amor. Não importa, talvez eu seja só uma criança pequena tentando sentir alguma coisa. Como quando boto a mão no fogo ou... quando faço xixi na cama

domingo, 1 de agosto de 2010

Por favor, não morra.

Tô confusa, como sempre. A boca tá seca de estabilizador de humor e antidepressivo. Foda-se. Eu sou mesmo todo o caos.
O que devo fazer quando a paixão é como Henry Miller?
Seja como for, não me preocupo mais.
Estou imersa nessa putaria.



A noite tá fria. Toca Neon Boys.
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"MEU CORAÇÃO É UM DEBOCHE ABERTO"


O meu também é;